quinta-feira, 31 de maio de 2012

Química do Gudang - Parte 2

Como o maior número de acessos pelas estatísticas são da postagem A Química do Gudang http://quimicaeducacao.blogspot.com.br/2008/12/qumica-do-gudang-garam_16.html
E como percebem, devido ao tempo não tenho mais feito postagens

Recebo hoje uma boa colaboração através do seguinte texto

Prezados, não existe qualquer substância ilegal nestes cigarros. O Gudang não possui maconha em sua composição e, como muito bem explicado pelo Roberto Dalmo, a substância responsável por causar uma "leve onda" no fumante é o eugenol, em razão das propriedades já mencionadas. Esta substância provoca diminuição da pressão arterial, ocasionando a sensação de vertigem logo em seguida aos primeiros tragos e, geralmente, o fumante sente, ainda, as pernas pesadas ou dormentes e os reflexos ficam prejudicados. Estes são os efeitos que o fumante consegue sentir de imediato, porém, como já é de conhecimento de todos, qualquer cigarro, inclusive o Gudang, é extremamente prejudicial à saúde, em qualquer nível de consumo. Em adição, para eliminar qualquer dúvida, recentemente a ANVISA editou resolução proibindo a comercialização e importação de cigarros que contenham aditivos aromatizantes como o cravo e a canela, os quais fazem parte da composição do Gudang. Outrossim, o Gudang é um produto importado, tendo em vista que é produzido em diversas regiões da Indonésia, e, portanto, deveria obedecer as normas tributárias expedidas pela Receita Federal (especialmente a que dispõe sobre o selo de controle, na forma da Instrução Normativa RFB nº 770, de 21 de agosto de 2007) e pagar os devidos impostos. Então, além de ser um produto contrabandeado, verifica-se que a sua importação sem o pagamento dos respectivos impostos incorre no crime de descaminho. Portanto, a comercialização do Gudang na forma que é realizada hoje é conduta passível de punição na forma do art. 334 do Código Penal brasileiro. Espero ter esclarecido quaisquer dúvidas que, porventura, ainda não tenham sido eliminadas pelas sábias palavras do Roberto Dalmo. Para maiores informações sobre a história do Gudang e sua cadeia de produção acesse o site:

http://www.gudanggaramtbk.com/ina/home/

Abraço!


Lucas Latini

Acredito que seja uma boa contribuição para as discussões, e com argumentos bastante plausíveis. 

Agradeço a colaboração e abro espaço para outras colaborações nessa e nas demais postagens.

quarta-feira, 28 de março de 2012

XI Encontro sobre Investigação na Escola

Olá pessoal meu nome é Natália Bozzetto sou graduanda do curso de Lic. em Química da Universidade Federal do Pampa.
Gostaria de socializar com vocês um evento que ocorrera na UNIPAMPA nos dias 13 e 14 de Julho de 2012.

Maiores informações no link:

http://www.xieie.com.br/

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Ligações Químicas


Gostaria de começar minha fala sobre o tema proposta “Ligações Químicas” com uns questionamentos.

Começando com i) é realmente necessário ensinar ligações químicas? ii) o problema será a forma com que ela é ensinada? Se a resposta for sim para ambos os questionamentos anteriores, uma certeza eu tenho – Ele é estudado no momento errado – Assim, faz-se necessário uma reformulação da estrutura do Ensino de Química no que se refere à esse tema.


Para refletir sobre o primeiro tópico é necessário cidadão não químico.

Apesar da dificuldade de não se ver como químico após anos de estudo, é importante fazer esse esforço e se questionar. Se o objetivo da educação básica não é formar químicos, mas cidadãos capazes de compreender a linguagem da ciência, o que é relevante para os estudantes? Na forma com que compreendo hoje a Educação em Ciências, somos professores de linguagem científica. E a linguagem que o estudante deve compreender é aquela que possa ser utilizada no mundo que ele vive e que possibilite a articulação dos saberes. Escolares, Cotidianos, Científicos, em sua vida de modo que seja um cidadão crítico com relação ao mundo que o cerca.

E é nesse momento que devemos nos questionar sobre esse do saber escolar, cotidiano e científico. Existe uma dicotomia no ensino, afinal o professor de química precisou de todos os conhecimentos para ser professor, formando-se em uma graduação que foi difícil. Por outro lado não necessariamente o estudante irá querer ser professor, e nem químico, mas acreditamos que o conhecimento construído em sala de aula será útil para sua compreensão crítica do mundo. Nesse ponto o professor de química deve achar um ponto de equilíbrio no qual estarão os conhecimento necessários à essa formação crítica. E esse ponto de equilíbrio significa afastar-se do que foi importante para ele, em prol do que será importante pra o estudante. Acredito que a resposta a essa indagação será pessoal, e será uma mescla de crenças e vivências pedagógicas na qual cada professor encontrará o seu ponto de equilíbrio.

Umas perguntas para aumentar a discussão sobre o tópico de ligações químicas são essas i) O conhecimento de ligação química visto na universidade é o mesmo visto no colégio? E como faremos essa ligação com o cotidiano? O que você entende por transposição didática? – Complicado de ter uma resposta, mas mesmo assim é válido que haja a pergunta.

O tópico de ligações químicas está presente na primeira ano do Ensino Médio. O estudante não conhece nenhuma reação química (como reação química), mas precisa compreender a ligação e classificá-la como iônica, covalente, metálica. Será que esses estudantes conseguem compreender o conceito de Ligação Química? Agora, indo além, será que os professores conseguem? – É necessário fazer uma reflexão sobre o que é ligação química, como ela foi inserida no contexto científico e como ela está sendo utilizada.

Se a opção for trabalhar o tema “ligações químicas”, acredito que seja interessante estudá-lo em um momento posterior, e a utilização da História da Ciência torna-se válida por mostrar o caráter da ciência como uma construção humana, feita por modelos, e que está em constante modificação desses modelos.

Observado o livro didático

Tomando alguns livros que se propõem como inovadores, é possível perceber que a modificação feita no tema “Ligações Químicas” de um livro tradicional para esses é a questão da exemplificação estar anterior ao conteúdo. Claramente sendo mais coerente com o que se acredita hoje na Educação em Ciências do que os livros mais antigos, porém ainda consigo voltar ao questionamento inicial. Será necessário estudar ligações químicas? E se for necessário, qual o melhor momento? E como fazer?

Nesse livro, percebo que eles nos mostram os motivos de estudar ligação química, mas pra nós, químicos, é muito claro. Será que é claro para o estudante?

Por isso defendo uma abordagem desse tópico um pouco depois, após ele conhecer, refletir, se questionar, melhor o mundo macro. É importante lembrar que como professores de química somos articuladores da linguagem científica, mas isso deve fazer sentido para o estudante. Ele deve ser levado ao questionamento. E a partir daí, podemos construir modelos que sejam compreendidos, e não apenas decorados. Modelos esses que em geral, não possuem significação, mas apenas algo que nos diz “Se a diferença de eletronegatividade for maior do que 1,7 é iônica, se for menor é covalente”. Nesse ponto, ensinar ligações químicas, deve ser fazer o estudante questionar Por que os metais conduzem eletricidade? Por que os sais apresentam alto ponto de fusão? por que há tanta diferença entre o grafite e o diamante?

Nesse ponto de questionamento, o estudante irá querer compreender a ligação química e posteriormente as interações intermoleculares, para compreender a linguagem que a ciência utiliza para explicar fenômenos.


Que estratégias utilizar?

Essa opção estratégica é outro ponto pessoal, cada professor irá usar aquela me irá se adequar ao seu conhecimento e à suas crenças. Dentre as estratégias que podem ser utilizadas nas mais diversas práticas que pensam ensino/aprendizagem, temos as práticas que envolvem experimentação. Seriam elas adequadas para esse tema? Acredito que não, o conceito de ligação química foi introduzido, da maneira que “conhecemos hoje”, de forma teórica. (Reparem que muitos pesquisadores dizem que essas teorias não são palpáveis para o ensino básico). Partindo para um segundo tipo de abordagem metodológica, tem-se a utilização de práticas que envolvem a relação CTS. Contexto de Ciência, Tecnologia, Sociedade ela pode ser utilizada para a compreensão crítica de mundo. Se bem trabalhada podem fazer com que o estudante reflita e questione o mundo em que vive e as relações CTS. Essa opção seria adequada para uma abordagem do tema ligação química após um trabalho com reações químicas, transplantando o tópico talvez para o segundo ano do ensino médio. Se a opção é manter no 1º ano, acredito que uma boa opção seja a História da Ciência, abordando como funciona a dinâmica do empreendimento científico que eles estão estudando. Mas sempre lembrando que essa é uma opção metodológica e pessoal.

Percebam no meu discurso inicial que defendo uma mudança na ordem dos fatores. Inicialmente o estudante deve compreender algumas reações químicas, e como modelo explicativo utilizamos os conceitos de ligações químicas. Nesse ponto é feita uma mudança que irá adequar a história da ciência ao conhecimento estudado em sala, lembrando-se de que o modelo de ligação química surgiu há menos de um século. O conceito de átomo foi aceito como “verdade” (muitos aspas), há aproximadamente um século. Mas na Educação em Ciências fazemos o inverso. Queremos que os estudantes construam conceitos que demoraram séculos para serem compreendidos em uma aula. Assim eles decoram, não entendem o que é a Ligação Química.

Agora, respondam-me vocês! É necessário trabalhar na Educação Científica, os conceitos de Ligação Química? Se é necessário e importante, então temos que (re)inventar constantemente nossa prática. É isso que faz com que a profissão professor exija, como requisito básico, a criatividade!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

QUANDO A DEMOCRACIA MOSTRA-SE “ANTIDEMOCRÁTICA”

Vejamos o problema do voto da maioria. Adorno 1998 apud (Souza 2009) diz que ao pautar o processo de gestão a partir sempre da lógica da maioria, corre-se o risco de padronizar as tomadas de decisão em procedimentos que podem ser mais expressão da violência do que da democracia, uma vez que a maioria, mesmo que fluida, quando ciente do controle que possui sobre as decisões, dificilmente abre mão de suas posições, mesmo tendo frágeis argumentos para mantê-las. Em momento seguinte Habermas 1990 afirma que a única forma de obter um processo democrático é através da ação do diálogo.

Nesse contexto, com muita tristeza, tive o desprazer de presenciar uma votação sobre a SEMANA DA QUÍMICA UFF-2011.

Foi possível perceber que como professores, dentro do âmbito universitário, temos ótimos burocratas, que não conhecem nada além do conteúdo. Além de haver um esquecimento provocado pelo concurso público, no qual muitos esquecem que foram estudantes, muitos esquecem como aprenderam, e muitos esquecem o que é ser uma pessoa humana. Tudo a favor de um conteúdo.

Caros professores, sinto-lhes informar que o aluno que está escrevendo esse texto possui C.R acima de 8 e tem moral pra dizer que estudou muito nessa faculdade e os conteúdos são secundários. Tanto professor deixa de dar aula porque vai pra congresso, tanto professor fica falando baboseira da vida pessoal em sala de aula, tanto professor acaba a aula mais cedo ou termina mais tarde por motivos pessoais, e agora eles dizem EM UNISSONO que não podem deixar de dar aula porque tem um conteúdo mínimo a seguir?

Eu não me lembro nem de 10% do que vocês deram em sala, e tenho certeza que nenhum dos outros estudantes lembram, e nem vocês lembram de muita coisa que estudaram na faculdade fora da suas áreas de especialização. Porém, eu lembro de quanto cresci a cada evento que participei, a cada curso que fiz, e em cada debate que tive com professores em espaços que não sejam considerados formais.

Acho que as práticas precisam ser revistas, estamos ensinando muito conteúdo, mas não estamos ensinado a pensar.

Pra finalizar fica um trecho de um artigo que eu li a pouco tempo.

“Aqui, cabe levar em conta as considerações da entrevista do físico alemão Andreas Schleicher, responsável pela aplicação da prova do PISA (Programa Internacional de Aferição do conhecimento de Estudantes pela OCDE):

Os brasileiros apareceram, mais uma vez, entre os piores estudantes do mundo nos últimos rankings de ensino da OCDE. O que o senhor descobriu ao analisar as provas desses estudantes?

Elas não deixam dúvida quanto ao tipo de aluno que o Brasil forma hoje em escolas públicas e Particulares. São estudantes que demonstram certa habilidade para decorar a matéria, mas se paralisam quando precisam estabelecer qualquer relação entre o que aprenderam na sala de aula e o

mundo real. Esse é um diagnóstico grave. Em um momento em que se valoriza a capacidade de análise e síntese, os brasileiros são ensinados na escola a reproduzir conteúdos quilométricos sem muita utilidade prática. Enquanto o Brasil foca no irrelevante, os países que oferecem bom ensino já entenderam que uma sociedade moderna precisa contar com pessoas de mente mais flexível. Elas devem ser capazes de raciocinar sobre questões das quais jamais ouviram falar – no exato instante em que se apresentam.(Revista VEJA, 02/ago/2008)."

Retomando a questão da gestão democrática, apesar dos fortes argumentos da comissão organizadora e do nosso coordenador de curso, mais uma vez venceu a maioria. Conteudista e imbecilizante. Depois me perguntam mesmo por que eu consigo ir tão bem nas matérias mas perdi a paixão pela química!

Muito conteúdo e pouca relação, muita burocracia e pouca paixão.

Assim deixo meu muito obrigado à maioria sensata que votou pelo não cancelamento das aulas durante a semana da Química da UFF, ficamos gratos por mais uma semana de conteúdo e menos uma semana de experiências.

sábado, 20 de agosto de 2011

Processo de Fritz Harber da síntese da amônia, história e importância

O economista Thomas Malthus, na sua teoria populacional, alertava que o crescimento demográfico acelerado acaretaria na falta de recursos alímentícios para a população, gerando fome. No entanto, Malthus não contava com a modernidade.O aparecimento do processo da síntese da amônia, para a produção de fertilizantes foi um fator primordial para desbancar a teoria de Malthus e promover a produção de alimentos em larga escala.

Para o crescimento das plantas, é nescessário: água, oxigênio, gás carbonico, potássio, nitrogênio e fósforo, no entanto muitos solos não têm quantidades suficientes de um desses três últimos componentes, chamados de elementos limitantes, fazendo com que a planta não cresça. Se o solo não tem quantidades mínimas de PO42- (Fósfato), K+( Potássio) ou NO3- (Nitrato) a planta simplesmente não se desenvolve.

No planeta, não há quantidades suficientes de terras naturalmente férteis para plantarmos alimentos para 6,5 bilhoes de pessoas. Portanto, para poder plantar é preciso adicionar fertilizantes, estes inicialmente eram extraidos dos depósitos de guano no Peru e de Salitre, no Chile. Todavia, estes recursos estavam se esgotando e era necessário inventar um novo jeito de fabricar os fertilizantes (KNO3, NaNO3, Ca3(PO4)2).

A década era de 1910, a Alemanha recém unificada precisava alimentar sua população e desenvolver novos tipos de armas para a primeira guerra mundial, as chamadas armas químicas . O nacionalista extremista e judeu Fritz Harber, patrocinado pela elite industrial alemã e influenciado pelos trabalhos de Nerst, Le Chatelier e Ostwald, Harber desenvolveu um método para a síntese de amonia.

N2(g) + 3 H2(g) ↔ 2 NH3(g) ∆ H = -92,22 Kj


O processo de Harber foi levado a escala industrial por Carl Bosch. A partir deste ponto a Alemanha poderia fabricar nitratos como fertilizantes, para a produção de alimentos e salvar a população, como também poderia fabricar explosivos.Este cenário mostra um paradóxo entre o conhecimento e a ética, uma invenção que pode salvar a humanidade, como também pode ser responsável por atrocidades jamais vistas.

A contribuição de Fritz Haber é enorme, a ponto de muitas pessoas considerarem a Síntese da Amônia a maior invenção do século XX. Para ter uma ideia de sua importância, basta dizer que a quantidade de nitrogênio disponibilizada pelos processos naturais seria suficiente para produzir alimentos a apenas 3,6 bilhões de pessoas. A população mundial em 2007 superava de 6,5 bilhões de pessoas. Hoje, este método é responsável por 99% do nitrogênio inorgânico produzido no mundo, o equivalente a cerca de 130 milhões de toneladas de amônia por ano.

Em 1933, Adolf Hitler assumiu o poder na Alemanha. Com ele, tem início a maior barbárie da história da humanidade, que resultaria na morte de milhões de judeus. Haber era judeu, e foi perseguido. O país que serviu de inspiração para Haber, foi o mesmo que o matou nos campos de concentração. Fritz morreu em 1934 aos 65 anos, deixando um legado para a humanidade.

Ele foi considerado herói e vilão. No caso da síntese da amônia, se por um lado, ela permitiu a fabricação de fertilizantes químicos nitrogenados sintéticos, alimentando bilhões de pessoas, por outro lado, foi responsável pela morte de muitas pessoas, com explosivos e câmaras de gás.

Referencias:

Quím. Nova vol.30 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2007

WELIKSON, CAMILA, Fritz Harber e Síntese da Amônia, PUC-RIO, 2008

GORRAN, MORRIS , Story of Fritz Harber, University of Oklahoma Press, 1967


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