domingo, 24 de julho de 2011

¿Infância, a idade dos porquês?

Em um dia desses de férias, liguei a televisão, não estava passando nada de interessante nos canais dos quais eu costumo ver. Para tirar o tédio, resolvi passar os canais da TV a cabo e dar atenção aos canais de que não assisto normalmente. Parei no Discovery Kids e prestei atenção no desenho que estava passando, ele se chamava “Sid o cientista”, aos poucos fui dando importância ao desenho até perceber que este desenho é uma ótima iniciativa para a divulgação da ciência. No episódio que estava assistindo, Sid, o protagonista, começa questionar sobre a água. Primeiramente ele questiona a mãe, por que a água é liquida, ou por que ela é importante para a saúde. Sua mãe o responde e encoraja-o a levar este assunto a sala de aula.

Sempre antes de começar a aula, Sid e sua turma fazem uma pesquisa acerca de algum tema referente ao assunto do episódio, por exemplo, no episódio da água a pergunta foi se os pais deixam água aberta enquanto escovam o dente ou se ensaboam. Quando Sid entra na sala de aula, ele comenta com a professora sobre o interesse em entender mais sobre a água. Já sua professora, reúne toda a turma e começa a falar sobre a água, composição, utilidades dentre outros aspectos. É notório observar que durante todo o aprendizado dos pequenos alunos, são envolvidas todas as áreas do método científico. Dentre elas, é possível citar: a observação, experimentação, questionamento e a conclusão de idéias provenientes destes processos iniciais.

Cada episódio traz um assunto diferente a ser debatido. A abordagem é superficial, mas consegue abranger as dúvidas freqüentes que as crianças têm e levar-las ao pensamento crítico, base do processo científico.

É na infância que a criança começa a desvendar o funcionamento do mundo em que vive, portanto, vejo nestes desenhos educativos, uma ótima iniciativa ao ensino fora da escola. No qual a criança aprende questões básicas importantes assistindo desenhos educativos, fundamentados sempre de modo informal, divertindo os pequenos telespectadores.

Sid, o Cientista passa na Discovery Kids de segunda a sexta ás 09:30 e ás 15:00.



Semana de Química UNICAMP

Sonhos, Perspectivas, Inovação - Semana da Química Unicamp - 21 a 16 de Agosto

Acho que vale a pena conferir...
Só pra dar água na boca abaixo vai uma parte da programação

Abertura - Visualization in the Education of a Chemist

Prof. Dr. Peter Atkins (University of Oxford)

Domingo (21/08) - 18h30 - Local: Centro de Convenções

P03 – De Sais Fundidos à Líquidos Iônicos – Uma viagem “nano”

Prof. Dr. Jairton Dupont (IQ/UFRGS)

Segunda-feira (22/08) - 16h - Local: Auditório

P04 – Jornalismo Científico: Desafios para Melhorar a Cobertura da Ciência

Profª Germana Barata (LABJOR/UNICAMP)

Segunda-feira (22/08) - 16h - Local: IQ01

P09 – Astroquímica: da Formação dos Elementos Químicos até as Moléculas Pré-bióticas

Profª Drª Heloisa Boechat-Roberty (UFRJ)

Quarta-feira (24/08) - 10h - Local: Auditório


P10 – Inovação Tecnológica: da Bancada ao Produto

Vera Crósta (Consultora)

Quarta-feira (24/08) - 10h - Local: IQ01


P11 –Datação de Cerâmicas Arqueológicas por Termoluminescência

Prof. Dr. Alfredo Bernedo (IQ/UFF)

Quinta-feira (25/08) - 10h - Local: Auditório

P12 - Como Compostos Químicos atuam na Defesa de Plantas e Insetos: Estudos com Alcalóides Pirrolizidínicos

Prof. Dr. José Roberto Trigo (IB/UNICAMP)

Quinta-feira (25/08) - 10h - Local: IQ01

P13 - Aplicação de nanoestruturas de carbono no ramo ambiental e tecnológico: a questão magnética e anfifílica

Prof. Dr. Rochel Lago (DQ/UFMG)

Sexta-feira (26/08) - 10h - Local: IQ01



segunda-feira, 11 de julho de 2011


Olá,

Sou Igor Coreixas e faço Química Industrial na UFF, amigo do Dalmo.

Estou postando pela primeira vez, espero que gostem!

Neste ano, o tão conceituado MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), que figura entre as três melhores universidades do mundo, completou 10 anos da existência do seu curso aberto. Neste projeto da universidade, são disponibilizados vídeos, provas, slides e materiais de apoio para o estudo das mais variadas áreas de ensino. Tais quais:

-Engenharias

- Química, Física, Matemática

-Arquitetura, Economia, Ciências políticas etc.

São oferecidos mais de 30 cursos online e tudo isto de graça! Além do mais, os professores são excepcionais, alguns, por exemplo, já foram indicados ao prêmio Nobel, portanto não é algo a ser descartado.

Segue o link do site do MIT Open courseware.

http://ocw.mit.edu/index.htm

Dentre todas as vídeos-aula a que mais me chamou atenção foi a de introdução à química dos sólidos com o professor Donald Sadoway:

Introdução a matéria:

http://www.youtube.com/watch?v=rzGmSWxhwM8&feature=list_related&playnext=1&list=SP3B87AF6948F5E8F9

Site com os vídeos, exercícios e provas na íntegra:

http://ocw.mit.edu/courses/materials-science-and-engineering/3-091-introduction-to-solid-state-chemistry-fall-2004/

Apesar do excelente conteúdo oferecido, é necessário saber muito bem inglês para a total compreensão das aulas e provas. No entanto, há algumas legendas em português que podem ser ativadas no youtube.

Obs: Todos os vídeos do site, também se encontram no youtube.

http://www.youtube.com/results?search_query=mit&aq=f






Novo autor no blog

É com grande prazer que venho aqui apresentar mais um colaborador formal desse espaço.
Começei com o blog quando estava no meu segundo ou terceiro período da faculdade... Ao longo desse tempo é possível observar uma evolução de escrita, de pensamento educacional, entre outras coisinhas. Acho que esse espaço foi fundamental para meu desenvolvimento como professor e como estudante.
Dessa forma, passo o bastão para o Igor Coreixas, um rapaz que foi agora para o segundo período da faculdade, mas que tem muito gás pra tocar esse blog em frente.

Um dia vi um muleque com uma maleta cheia de reagentes pra fazer experimentos...
O cara gosta disso pra caramba! e é o que precisamos. alguém com gás pra colocar postagens novas e movimentar esse espaço que eu venho abandonando aos poucos.

Boa sorte meu amigo! e vamos fazer desse espaço um local (mesmo que virtual) no qual se faz EDUCAÇÃO e não só fale de química.

Roberto Dalmo

terça-feira, 29 de março de 2011

Luto pela educação

Texto retirado do recado que o Professor Pierre deixou
no Okut.

Vamos todos se unir



Caros(as) profissionais de educação, estudantes, famílias: Se cada um de vocês ama a educação, acredita em seu poder transformador e é capaz de se indignar com o descaso com que ela vem sendo tratada especialmente nos âmbitos municipais e estaduais, REVERBERE ESTE ATO:

Todos em defesa de uma educação de qualidade, sobretudo pública, contra sua mercantilização e seu sucateamento, manifesto principalmente através da desvalorização dos profissionais de educação.
USE NO DECORRER DO DIA 31/03 (QUINTA-FEIRA) UMA FITA PRETA NO BRAÇO ESQUERDO, símbolo de nossa indignação e luto pelos rumos que as "políticas" de educação têm tomado.














quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Ciência, Filosofia, e Arte



Na poesia do Mestre Vinícius de Moraes. Sou suspeito porque puxo saco de tudo que esse cara fez, sou fã mesmo. Por isso colocarei mais uma poesia com o mesmo tema; a primeira foi a Rosa de Hiroshima, e agora será...


A bomba atômica

e=mc²
Einstein
Deusa, visão dos céus que me domina
...tu que és mulher e nada mais!
(Deusa, valsa carioca.)



I


Dos céus descendo
Meu Deus eu vejo
De pára-quedas?
Uma coisa branca
Como uma fôrma
De estatuária
Talvez a fôrma
Do homem primitivo
A costela branca!
Talvez um seio
Despregado à lua
Talvez o anjo
Tutelar cadente
Talvez a Vênus
Nua, de clâmide
Talvez a inversa
Branca pirâmide
Do pensamento
Talvez o troço
De uma coluna
Da eternidade
Apaixonado
Não sei indago
Dizem-me todos
É A BOMBA ATÔMICA.
Vem-me uma angústia.
Quisera tanto
Por um momento
Tê-la em meus braços
A coma ao vento
Descendo nua
Pelos espaços
Descendo branca
Branca e serena
Como um espasmo
Fria e corrupta
Do longo sêmen
Da Via Láctea
Deusa impoluta
O sexo abrupto
Cubo de prata
Mulher ao cubo
Caindo aos súcubos
Intemerata
Carne tão rija
De hormônios vivos
Exacerbada
Que o simples toque
Pode rompê-la
Em cada átomo
Numa explosão
Milhões de vezes
Maior que a força
Contida no ato
Ou que a energia
Que expulsa o feto
Na hora do parto.

II

A bomba atômica é triste
Coisa mais triste não há
Quando cai, cai sem vontade
Vem caindo devagar
Tão devagar vem caindo
Que dá tempo a um passarinho
De pousar nela e voar...
Coitada da bomba atômica
Que não gosta de matar!
Coitada da bomba atômica
Que não gosta de matar
Mas que ao matar mata tudo
Animal e vegetal
Que mata a vida da terra
E mata a vida do ar
Mas que também mata a guerra…
Bomba atômica que aterra!
Pomba atônita da paz!
Pomba tonta, bomba atômica
Tristeza, consolação
Flor puríssima do urânio
Desabrochada no chão
Da cor pálida do helium
E odor de rádium fatal
Loelia mineral carnívora
Radiosa rosa radical.
Nunca mais, oh bomba atômica
Nunca, em tempo algum, jamais
Seja preciso que mates
Onde houve morte demais:
Fique apenas tua imagem
Aterradora miragem
Sobre as grandes catedrais:
Guarda de uma nova era
Arcanjo insigne da paz!

III

Bomba atômica, eu te amo! és pequenina
E branca como a estrela vespertina
E por branca eu te amo, e por donzela
De dois milhões mais bélica e mais bela
Que a donzela de Orleans; eu te amo, deusa
Atroz, visão dos céus que me domina
Da cabeleira loura de platina
E das formas aerodivinais
– Que és mulher, que és mulher e nada mais!
Eu te amo, bomba atômica, que trazes
Numa dança de fogo, envolta em gazes
A desagregação tremenda que espedaça
A matéria em energias materiais!
Oh energia, eu te amo, igual à massa
Pelo quadrado da velocidade
Da luz! alta e violenta potestade
Serena! Meu amor, desce do espaço
Vem dormir, vem dormir no meu regaço
Para te proteger eu me encouraço
De canções e de estrofes magistrais!
Para te defender, levanto o braço
Paro as radiações espaciais
Uno-me aos líderes e aos bardos, uno-me
Ao povo, ao mar e ao céu brado o teu nome
Para te defender, matéria dura
136
Que és mais linda, mais límpida e mais pura
Que a estrela matutina! Oh bomba atômica
Que emoção não me dá ver-te suspensa
Sobre a massa que vive e se condensa
Sob a luz! Anjo meu, fora preciso
Matar, com tua graça e teu sorriso
Para vencer? Tua enérgica poesia
Fora preciso, oh deslembrada e fria
Para a paz? Tua fragílima epiderme
Em cromáticas brancas de cristais
Rompendo? Oh átomo, oh neutrônio, oh germe
Da união que liberta da miséria!
Oh vida palpitando na matéria
Oh energia que és o que não eras
Quando o primeiro átomo incriado
Fecundou o silêncio das Esferas:
Um olhar de perdão para o passado
Uma anunciação de primaveras!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Alegoria da Caverna

Alegoria da Caverna, ou Mito da Caverna, como queiram chamar, foi está no livro VII da República de Platão, tratando-se de um diálogo entre Glauco e Sócrates.- Quem ler, tanto o homem quanto a mulher, perceberá que parece um diálogo entre a sua esposa ou seu marido, que chega do trabalho cheio de coisas pra contar e você tem pouco a contribuir, mas sempre está escutando, porque se não escutar... já sabe o que acontece né!?! Talvez o Glauco não tenha contribuido muito nesse diálogo, mas o Platão com esse texto que propõe a fala de Sócrates, contribui muito com todos nós, sendo extremamente interessante.


Pensando na importância da Filosofia na formação do professor, principalmente para aqueles que apresentam a Ciência como uma Verdade Absoluta, espero que este texto contribua de alguma forma, também foi posto um quadrinho da turma da mônica que também é o maior barato. Vale a pena ler os dois.

Então, como eu sempre digo. Leiam e façam reflexões:

Como o texto está inserido na perspectiva de Educação em Ciências?

Espero que gostem!
______________________________________________________________

Sócrates – Agora imagina a maneira como segue o estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoços acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas.

Glauco – Estou vendo.

Sócrates – Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objetos de toda espécie, que os transpõem: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio.

Glauco - Um quadro estranho e estranhos prisioneiros.

Sócrates - Assemelham-se a nós. E, para começar, achas que, numa tal condição, eles tenham alguma vez visto, de si mesmos e de seus companheiros, mais do que as sombras projetadas pelo fogo na parede da caverna que lhes fica defronte?

Glauco - Como, se são obrigados a ficar de cabeça imóvel durante toda a vida?

Sócrates - E com as coisas que desfilam? Não se passa o mesmo?

Glauco
- Sem dúvida.

Sócrates - Portanto, se pudessem se comunicar uns com os outros, não achas que tomariam por objetos reais as sombras que veriam?

Glauco - É bem possível.

Sócrates
- E se a parede do fundo da prisão provocasse eco sempre que um dos transportadores falasse, não julgariam ouvir a sombra que passasse diante deles?

Glauco - Sim, por Zeus!

Sócrates - Dessa forma, tais homens não atribuirão realidade senão às sombras dos objetos fabricados?

Glauco - Assim terá de ser.

Sócrates
- Considera agora o que lhes acontecerá, naturalmente, se forem libertados das suas cadeias e curados da sua ignorância. Que se liberte um desses prisioneiros, que seja ele obrigado a endireitar-se imediatamente, a voltar o pescoço, a caminhar, a erguer os olhos para a luz: ao fazer todos estes movimentos sofrerá, e o deslumbramento impedi-lo-á de distinguir os objetos de que antes via as sombras. Que achas que responderá se alguém lhe vier dizer que não viu até então senão fantasmas, mas que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, vê com mais justeza? Se, enfim, mostrando-lhe cada uma das coisas que passam, o obrigar, à força de perguntas, a dizer o que é? Não achas que ficará embaraçado e que as sombras que via outrora lhe parecerão mais verdadeiras do que os objetos que lhe mostram agora?

Glauco - Muito mais verdadeiras.

Sócrates
- E se o forçarem a fixar a luz, os seus olhos não ficarão magoados? Não desviará ele a vista para voltar às coisas que pode fitar e não acreditará que estas são realmente mais distintas do que as que se lhe mostram?

Glauco - Com toda a certeza.

Sócrates
- E se o arrancarem à força da sua caverna, o obrigarem a subir a encosta rude e escarpada e não o largarem antes de o terem arrastado até a luz do Sol, não sofrerá vivamente e não se queixará de tais violências? E, quando tiver chegado à luz, poderá, com os olhos ofuscados pelo seu brilho, distinguir uma só das coisas que ora denominamos verdadeiras?

Glauco - Não o conseguirá, pelo menos de início.

Sócrates - Terá, creio eu, necessidade de se habituar a ver os objetos da região superior. Começará por distinguir mais facilmente as sombras; em seguida, as imagens dos homens e dos outros objetos que se refletem nas águas; por último, os próprios objetos. Depois disso, poderá, enfrentando a claridade dos astros e da Lua, contemplar mais facilmente, durante a noite, os corpos celestes e o próprio céu do que, durante o dia, o Sol e sua luz.

Glauco - Sem dúvida.

Sócrates
- Por fim, suponho eu, será o sol, e não as suas imagens refletidas nas águas ou em qualquer outra coisa, mas o próprio Sol, no seu verdadeiro lugar, que poderá ver e contemplar tal qual é.

Glauco - Necessariamente.

Sócrates
- Depois disso, poderá concluir, a respeito do Sol, que é ele que faz as estações e os anos, que governa tudo no mundo visível e que, de certa maneira, é a causa de tudo o que ele via com os seus companheiros, na caverna.

Glauco - É evidente que chegará a essa conclusão.

Sócrates - Ora, lembrando-se de sua primeira morada, da sabedoria que aí se professa e daqueles que foram seus companheiros de cativeiro, não achas que se alegrará com a mudança e lamentará os que lá ficaram?

Glauco - Sim, com certeza, Sócrates.

Sócrates - E se então distribuíssem honras e louvores, se tivessem recompensas para aquele que se apercebesse, com o olhar mais vivo, da passagem das sombras, que melhor se recordasse das que costumavam chegar em primeiro ou em último lugar, ou virem juntas, e que por isso era o mais hábil em adivinhar a sua aparição, e que provocasse a inveja daqueles que, entre os prisioneiros, são venerados e poderosos? Ou então, como o herói de Homero, não preferirá mil vezes ser um simples lavrador, e sofrer tudo no mundo, a voltar às antigas ilusões e viver como vivia?

Glauco
- Sou de tua opinião. Preferirá sofrer tudo a ter de viver dessa maneira.

Sócrates
- Imagina ainda que esse homem volta à caverna e vai sentar-se no seu antigo lugar: Não ficará com os olhos cegos pelas trevas ao se afastar bruscamente da luz do Sol?

Glauco - Por certo que sim.

Sócrates - E se tiver de entrar de novo em competição com os prisioneiros que não se libertaram de suas correntes, para julgar essas sombras, estando ainda sua vista confusa e antes que seus olhos se tenham recomposto, pois habituar-se à escuridão exigirá um tempo bastante longo, não fará que os outros se riam à sua custa e digam que, tendo ido lá acima, voltou com a vista estragada, pelo que não vale a pena tentar subir até lá? E se alguém tentar libertar e conduzir para o alto, esse alguém não o mataria, se pudesse fazê-lo?

Glauco - Sem nenhuma dúvida.

Sócrates - Agora, meu caro Glauco, é preciso aplicar, ponto por ponto, esta imagem ao que dissemos atrás e comparar o mundo que nos cerca com a vida da prisão na caverna, e a luz do fogo que a ilumina com a força do Sol. Quanto à subida à região superior e à contemplação dos seus objetos, se a considerares como a ascensão da alma para a mansão inteligível, não te enganarás quanto à minha idéia, visto que também tu desejas conhecê-la. Só Deus sabe se ela é verdadeira. Quanto a mim, a minha opinião é esta: no mundo inteligível, a idéia do bem é a última a ser apreendida, e com dificuldade, mas não se pode apreendê-la sem concluir que ela é a causa de tudo o que de reto e belo existe em todas as coisas; no mundo visível, ela engendrou a luz; no mundo inteligível, é ela que é soberana e dispensa a verdade e a inteligência; e é preciso vê-la para se comportar com sabedoria na vida particular e na vida pública.

Glauco - Concordo com a tua opinião, até onde posso compreendê-la.

(Platão, A República, v. II p. 105 a 109)

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